Bem, passarei a comentar aqui no blog alguns dos livros que eu li. Não qualifico o que eu escreverei aqui como uma resenha crítica ou algo mais refinado, será apenas a minha singela opinião sobre algo que eu tenha lido.

Editora: Agir
Páginas: 160
Depois de tantos comentários que eu havia escutado sobre Caio Fernando e tantas frases soltas citadas aleatoriamente, resolvi ler algo por completo dele e então me indicaram Morangos Mofados. Uma boa indicação por sinal. Morangos trata-se de um livro de contos dividido em três partes “O Mofo”, “Os Morangos” e “Os Morangos Mofados” onde em quase todos eles o escritor relata, muitas vezes de forma subjetiva, momentos de melancolia, solidão, estranhamento e opressão, mas também revela uma forte crítica social. O mais interessante que eu considero nos contos que estão presentes nesse livro é a representação dos companheiros de sua geração, a marginalização da juventude, o acompanhamento dos caminhos encontrados pelos jovens de sua época (geração dos anos 1960), a forte tentativa de reafirmação do ser humano e ausência de um “final feliz” na maior parte dos contos, reduzindo a esperança de mudar os valores e posturas.
Caio consegue extrair um sentimento da época, revelando seus impasses mas não inferindo do que é certo ou errado, expressando a perplexidade diante da falência de sonhos e perda de ideias tanto no plano político quando no social e cultural. Essa obra também não privilegia uma organização linear, por isso a sequência de contos não parecem ser uma a continuação do outro, as narrativas possuem temas distintos, gerando ao leitor uma noção maior da pluralidade como recurso estético da obra e abrindo margens para maiores interpretações. A maior parte de suas narrativas direciona a pensar numa total liberdade quanto a opção sexual, desestabiliza qualquer tipo de pensamento conservador, e muitas das vozes dos personagens mostram a indignação quanto ao preconceito, refletindo sobre a impossibilidade de aceitação da liberdade sexual e desenvolvendo ainda mais um sentimento de melancolia, em que a dor vai além da física e atinge a moral, como no conto “Terça-feira gorda”.
Os contos revelam a precariedade da condição humana e a frustração da realização plena de seus sujeitos. Que embora possa haver alguma esperança de dias melhores, os sujeitos e o narrador as consideram como algo muito difícil de acontecer. Meus contos preferidos dessa obra são “Pêra, uva ou maçã?” que revela a insatisfação do sujeito e é ilustrado com uma intensa subjetividade do narrador através de uma crise emocional vivida por uma mulher, marcada por experiências de perda. Um outro conto que gosto dessa obra é o homônimo do livro, “Morangos Mofados”, é a terceira e última parte da obra e é um amontoado de fragmentos que não possuem uma sequência lógica e muito de seus discursos nem tem conclusões de ideias. Agora você deve estar me perguntando por considerar esse conto um dos melhores… Bem, a descrença do sujeito no conto “Morangos Mofados” é fascinante. Ele tenta mobilizar o leitor fazendo-o questionar o por que do personagem aceitar a situação presente como algo difícil de ser mudado. Nesse conto também revela a necessidade do sujeito em aprender com as experiências, de estar sempre se renovando, por isso encerra o conto com a expressão “minueto e rondó”. Surge uma esperança ao final desse conto (e do livro).
“Acendeu outro cigarro, desses que você fuma o dobro para evitar a metade do veneno, mas não é no cérebro que acho que tenho câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum” (Abreu, 1995, p. 145)






C.
21/06/2011 at 8:27 AM
Como alguém que leu Caio pela primeira vez consegue descreve-lo tão bem?
beijo,albina
Rariza Mozine
22/06/2011 at 12:09 AM
Aah Cris, é a curiosidade que é demais, li pela primeira vez
mas gostei tanto que procurei analisar melhor e colher informações
Beeijo