Desumano
Ou seria essa a verdadeira
essência do ser humano?
Desumanizar.
Desuso do ser.
Somos eternos solitários em companhia,
Somos solitariamente acompanhados.
A-Companhado
E sempre que você dorme de touca ele fatura em cima do inimigo…
A civilização se tornou complicada
Que ficou tão frágil como um computador
Que se uma criança descobrir
O calcanhar de Aquiles
Com um só palito pára o motor
As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor – Raul Seixas
The End
Há algum tempo a Academia Brasileira de Letras tem me engasgado, hoje eu resolvi me livrar desse incômodo olhe o drama corpo estranho em minha garganta contando uma historinha para vocês…
Era uma vez, um grupo de jovens escritores que em meio a tantas aspirações criativas e com a ajudinha da grande inspiração, a Academia Francesa, eis que desenvolveram a idéia de fundar uma Academia Brasileira de Letras, na qual se deu inicio objetivando a preservação da unidade literária brasileira. Em 20 de julho de 1897 foi investido a Joaquim Maria Machado de Assis a primeira presidência da ABL nada mais digno né !? Mas como não podia faltar em toda boa historinha, apareceram os vilões. Chatiando com toda a esperança da preservação cultural brasileira, transformaram o mais alto símbolo da intelectualidade do Brasil em um mero palco de disputas políticas, sendo raramente produzido algo de relevância cultural, elegendo como imortais escritores que não possuem sequer a criatividade para inovar os temas de seus livros, e além disso, outorgaram a medalha de Machado de Assis a uma das fontes de inspiração isso mesmo f-o-n-t-e de um dos imortais. Aqui jaz a ABL.
“Ronaldinho Gaúcho é a matéria prima para a boa literatura”
Então o que acham de dar uma medalha para todas as outras inspirações dos demais imortais da academia? Deveriam dar a mais alta honraria da casa também as ‘bruxas’ do Paulo Coelho? Não, não… Deveriam dar, definitivamente, essa medalha a cada pedacinho do cotidiano tão gloriamente descrito por Machado De Assis.
“ O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. “
Trecho do discurso de Machado de Assis ao assumir a presidência da ABL.
Abreu, Caio F. MORANGOS MOFADOS
Bem, passarei a comentar aqui no blog alguns dos livros que eu li. Não qualifico o que eu escreverei aqui como uma resenha crítica ou algo mais refinado, será apenas a minha singela opinião sobre algo que eu tenha lido.

Editora: Agir
Páginas: 160
Depois de tantos comentários que eu havia escutado sobre Caio Fernando e tantas frases soltas citadas aleatoriamente, resolvi ler algo por completo dele e então me indicaram Morangos Mofados. Uma boa indicação por sinal. Morangos trata-se de um livro de contos dividido em três partes “O Mofo”, “Os Morangos” e “Os Morangos Mofados” onde em quase todos eles o escritor relata, muitas vezes de forma subjetiva, momentos de melancolia, solidão, estranhamento e opressão, mas também revela uma forte crítica social. O mais interessante que eu considero nos contos que estão presentes nesse livro é a representação dos companheiros de sua geração, a marginalização da juventude, o acompanhamento dos caminhos encontrados pelos jovens de sua época (geração dos anos 1960), a forte tentativa de reafirmação do ser humano e ausência de um “final feliz” na maior parte dos contos, reduzindo a esperança de mudar os valores e posturas.
Caio consegue extrair um sentimento da época, revelando seus impasses mas não inferindo do que é certo ou errado, expressando a perplexidade diante da falência de sonhos e perda de ideias tanto no plano político quando no social e cultural. Essa obra também não privilegia uma organização linear, por isso a sequência de contos não parecem ser uma a continuação do outro, as narrativas possuem temas distintos, gerando ao leitor uma noção maior da pluralidade como recurso estético da obra e abrindo margens para maiores interpretações. A maior parte de suas narrativas direciona a pensar numa total liberdade quanto a opção sexual, desestabiliza qualquer tipo de pensamento conservador, e muitas das vozes dos personagens mostram a indignação quanto ao preconceito, refletindo sobre a impossibilidade de aceitação da liberdade sexual e desenvolvendo ainda mais um sentimento de melancolia, em que a dor vai além da física e atinge a moral, como no conto “Terça-feira gorda”.
Os contos revelam a precariedade da condição humana e a frustração da realização plena de seus sujeitos. Que embora possa haver alguma esperança de dias melhores, os sujeitos e o narrador as consideram como algo muito difícil de acontecer. Meus contos preferidos dessa obra são “Pêra, uva ou maçã?” que revela a insatisfação do sujeito e é ilustrado com uma intensa subjetividade do narrador através de uma crise emocional vivida por uma mulher, marcada por experiências de perda. Um outro conto que gosto dessa obra é o homônimo do livro, “Morangos Mofados”, é a terceira e última parte da obra e é um amontoado de fragmentos que não possuem uma sequência lógica e muito de seus discursos nem tem conclusões de ideias. Agora você deve estar me perguntando por considerar esse conto um dos melhores… Bem, a descrença do sujeito no conto “Morangos Mofados” é fascinante. Ele tenta mobilizar o leitor fazendo-o questionar o por que do personagem aceitar a situação presente como algo difícil de ser mudado. Nesse conto também revela a necessidade do sujeito em aprender com as experiências, de estar sempre se renovando, por isso encerra o conto com a expressão “minueto e rondó”. Surge uma esperança ao final desse conto (e do livro).
“Acendeu outro cigarro, desses que você fuma o dobro para evitar a metade do veneno, mas não é no cérebro que acho que tenho câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum” (Abreu, 1995, p. 145)
Mulher, funk, amor própiro
Os séculos passados foram para o mundo feminino um período de constantes lutas e conquistas, na melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos. Subentendendo-se que durante este século XXI e os seguintes estaríamos plantando e colhendo novos frutos.
Aqui seria o momento em que se encaixaria citar as presidentes, as empresárias bem sucedidas, a mulher multifuncional do mundo contemporâneo, enfim, mil e uma vantagens do mundo feminino e se perguntando o que seria dos homens sem nós, certo? ERRADO. Isso não é para ser um discursuzinho feminista barato.
Pois antes de tudo, sou mulher e tenho orgulho disso! Porém o que acontece no funk brasileiro ( sei que existem outros que também depreciam mundialmente, mas o foco do meu post é o funk brasileiro ) é uma depreciação feminina. (PAUSA ) Com certeza terá AQUELE (A) leitor (a) que abrirá a boca para falar que no funk a mulher sabe valorizar o seu corpo ressaltando a sua beleza e utilizando a medíocre frase de O que é bonito tem que ser mostrado para validar o seu discurso falho. Realmente, o pior cego é aquele que não quer ver.
Constantemente surge barulho músicas de funk em que homens enchem a boca para falar das 4 utilidades femininas lavar, passar, cozinhar e depois dar, enquanto outras letras possuem duplo sentido, possibilitando muitas vezes entender que dar pancadas em uma mulher é motivo de satisfação. Nos reduzem a puro interesse material, tratando muitas vezes como objetos sexuais e incitando a volta da mulher em prol da satisfação masculina. E o pior não é isso por incrível que pareça. O pior de tudo são as próprias mulheres corroborarem com essas absurdas afirmações, cantoras de funk cantam com orgulho eu sei que você tem outra, mas eu quero te dar Você perdeu o amor próprio, querida? Com tanto homem no mundo você tem que querer logo esse que já tem ‘outra’ ?!
Sem falar que, sedução não é usar poucas roupas, malhar os glúteos e exibi-los como se falassem por você – isso se chama vulgaridade. Você acha bonito ser vista como um pedaço de carne? Eu não.
Passamos tanto tempo lutando por ideais promissores, buscando respeito e valorização, mostrando que as mulheres podem sim estar no mundo dos negócios e também no lar mantendo sua feminilidade e o domínio da verdadeira arte de seduzir, não se sentindo em nenhum momento inferior aos homens. Mas porque será que algumas mulheres ainda insistem em querer ser dominadas e se sentir as mina dos mano e achar que seus glúteos valem mais que seu cérebro!?
Façam-me um favor, não joguem pelo ralo tudo que conquistamos e ainda pretendemos conquistar, tenham um pingo de amor próprio e percebam que saber seduzir e portar-se socialmente independe de sua classe social.
A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
Zé Ramalho e Otacílio batista
Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.
Séneca
Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam.
William Shakespeare
A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada.
Maomé
É mais claro que o sol, que Deus criou a mulher para domar o homem.
Voltaire





